— Abertura sensorial
Há um som específico no Japão que é difícil de descrever para quem não esteve lá. É o som da ausência. Um silêncio carregado: o silêncio do ryokan ao amanhecer, com vapor subindo do onsen externo; o silêncio do trem-bala em alta velocidade, deslizando sem nenhuma vibração; o silêncio do mestre de sushi entre uma peça e outra; o silêncio do jardim zen quando se desliga o turista que pisava grosso.
Aprender a viajar pelo Japão é, antes de qualquer coisa, aprender a baixar o volume. Da voz, do passo, da expectativa. Quem chega ao Japão tentando preencher o silêncio com a própria pressa, não viaja: agride.
A viagem editorial ao Japão Metour parte dessa premissa. O ritmo é a curadoria. Não há concessão.

