— Abertura sensorial
Há dois modos de ir à França. Um, mais comum, atravessa Paris em três dias com o passo apressado de quem precisa marcar o Louvre, a Torre Eiffel e Versailles antes do voo de volta. Outro, mais raro, escolhe um bairro e fica nele cinco dias: aprende o nome do padeiro, sabe a hora em que o açougue do canto fecha, decora qual peixaria tem o melhor turbot às terças.
A França editorial Metour é o segundo modo aplicado ao país inteiro. É Paris que se demora. É o vinhedo em Burgundy onde se almoça sem pressa. É a manhã em Saint-Émilion onde o silêncio entre uma adega e outra é tão importante quanto o que se prova dentro delas. É a Provence em outubro, quando a lavanda já não está em flor e por isso o turista também já não está.
Demorar é a chave editorial da França. Quem corre, perde tudo.

