— Abertura sensorial
A Itália que vale a pena não está nas filas do Coliseu nem nos gondoleiros performáticos de Veneza no meio de agosto. Está em uma manhã de novembro em Pienza, com vento frio e o cheiro de pecorino vindo do laticínio do bisavô. Está num almoço silencioso em uma trattoria sem nome em Trastevere, onde a dona ainda traz o vinho da casa antes de você pedir. Está numa estrada de saibro entre cipreste e cipreste, cortando o Val d’Orcia ao pôr do sol, sem outra trilha sonora que o motor desligado.
Atravessar a Itália de verdade exige duas coisas: tempo e recusa. Tempo para que a paisagem assente. Recusa para o que já virou imagem genérica.

