— Abertura sensorial
O Rio Grande do Sul é, em muitos sentidos, o estado brasileiro que mais se parece com país europeu. A imigração italiana e alemã do final do século XIX e início do XX deixou camadas que ainda hoje se sentem na arquitetura, na agricultura, no idioma (talian, riograndenser hunsrückisch) e, sobretudo, na mesa.
Há uma manhã específica que define o estado para o viajante editorial. É a manhã num hotel-vinícola do Vale dos Vinhedos com névoa baixa entre os parreirais, com café preto forte servido em xícara branca, com pão caseiro e geleia de uva da própria propriedade, e com a montanha distante começando a aparecer. Não é cenografia gaúcha de churrascaria. É outra coisa. É uma propriedade rural italiana transposta, sem perder a brasilidade no afeto, mas com seriedade europeia na execução.

